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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

a tronqueira

A tronqueira é um assunto bem abrangente, embora não pareça. O princípio vem do tronco, onde os negros eram amarrados e açoitados. E que há uma interpretação simbolicamente sagrada, e pela qual se tem uma firmeza. Por isso, há todo um significado a partir desta interpretação, pois que ali escorreu um sangue, um sangue sagrado, que tornou alguns espíritos imortais...
O tronco é o símbolo do alicerce, do princípio, da força. A força que resistiu o braço do feitor, a injustiça e o “fogo da punição”. Muitas pessoas ainda não refletiram acerca disso e, por exemplo, ficam estagnados ante a histeria de um evangélico quando grita... “O sangue de Cristo tem poder!” Ai eu já respondo de imediato... “O sangue dos escravos também tem poder!”
Assim sendo, a tronqueira é como o alicerce de uma casa. Não se constrói uma casa, começando pelo telhado. E boa parte deste alicerce fica a baixo do solo. Ou como alguns preferem ao referir-se ao mistério... “O que não é visto, não é lembrado”. Eis ai a “pedra fundamental” de um terreiro.

Por outro lado, a tronqueira também pode ser compreendida como a encruzilhada. Neste reino há inúmeras encruzas, macho e fêmea, pares e ímpares. Normalmente subentende-se encruzilhada por “caminhos que se cruzam” simplesmente. Porém, tanto há cruzamentos de dois caminhos, como pode haver cruzamentos de mais que dois.
É o caso da encruza em forma de “Y”, que para os kimbandeiros chama-se tronqueira, e nela, reina um Exu de mesmo nome. Exu Tronqueira. Esta entidade desapareceu dos terreiros por alguma razão descabida, mas “os antigos” lembram bem do caráter deste Exu. A atuação do mesmo, e como ele se apresenta.
Mas aquilo que usualmente no referimos como tronqueira, é nada mais que um assentamento, uma firmeza. E dali parte toda uma estrutura que tem a finalidade de segurar uma corrente mediúnica. Neste momento entra o papel de Exu. A pedra fundamental que “segura” toda a carga gerada pelos trabalhos.